
Qual é o CMV ideal no varejo? A resposta curta é: não existe um único percentual que sirva para todas as empresas. Um CMV de 70% pode estar dentro do esperado para uma farmácia, mas seria alto para grande parte das lojas de moda. Por isso, o número só ganha sentido quando é comparado com o segmento, o mix de produtos e a própria evolução do negócio.
O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) mostra quanto das vendas foi consumido pelo custo dos itens que saíram do estoque. É um dos indicadores mais importantes para entender se a empresa está comprando bem, precificando corretamente e preservando margem para pagar despesas e gerar lucro.
Neste artigo, você encontra uma tabela de referência de CMV por segmento, entende como interpretar cada faixa e aprende a definir uma meta que faça sentido para a sua operação.

* A margem bruta foi apresentada apenas como complemento didático: em uma comparação simples e na mesma base de vendas, ela corresponde aproximadamente a 100% - CMV%. Ela ainda precisa cobrir despesas operacionais, tributos, taxas, despesas financeiras e o lucro desejado.
Antes de usar a tabela: o que significa “CMV ideal”?
O CMV ideal não é o menor percentual possível. Uma empresa pode reduzir o CMV escolhendo itens mais baratos, mas perder vendas, qualidade percebida ou giro. O objetivo é encontrar um percentual compatível com a estratégia da loja e que deixe margem suficiente para toda a estrutura funcionar.
Pense em duas empresas que faturam R$ 100 mil no mês:
· Empresa A: CMV de R$ 70 mil, ou 70%. Sobram R$ 30 mil de margem bruta.
· Empresa B: CMV de R$ 55 mil, ou 55%. Sobram R$ 45 mil de margem bruta.
À primeira vista, a empresa B parece melhor. Mas essa conclusão só é válida se as duas vendem produtos parecidos, usam a mesma base de vendas e têm uma estrutura de despesas semelhante. Uma loja de vestuário normalmente precisa de uma margem bruta maior do que um supermercado, enquanto um atacarejo pode trabalhar com CMV mais alto e compensar pelo volume e pela velocidade do estoque.
Em outras palavras: o melhor percentual é aquele que permite competir, girar o estoque, cobrir os custos da operação e entregar o resultado planejado.

Como calcular o percentual de CMV
Para a gestão comercial, a fórmula mais útil é simples:
CMV (%) = (valor total do CMV no mês ÷ valor total de vendas no mês) × 100
Se uma empresa vendeu R$ 200 mil e o valor total de CMV informado no período foi R$ 146 mil, o cálculo é:
CMV (%) = (146.000 ÷ 200.000) × 100 = 73%
Isso significa que, para cada R$ 100 vendidos, R$ 73 foram consumidos pelo custo das mercadorias e restaram R$ 27 antes das demais despesas da operação.
Na apuração contábil, o valor total do CMV é influenciado pela movimentação de estoque, compras, devoluções, critérios de custo e parametrizações do sistema de retaguarda. Por isso, antes de comparar meses ou empresas diferentes, confirme se a base de vendas e o critério de custo são os mesmos. A norma contábil também diferencia custo de estoque de despesas de vendas e administrativas, que não devem ser misturadas no indicador.
Com integração ao sistema de retaguarda do cliente, o eDiretor recebe os valores de CMV já apurado e apresenta o CMV de forma simples, rápida e visual. Pelo aplicativo, o gestor pode acompanhar esse indicador na palma da mão, de onde estiver.

Como interpretar o CMV em cada segmento
Supermercados e atacarejo
Supermercados trabalham, em geral, com margem bruta menor e alto giro. Um CMV entre 75% e 85% pode ser normal, sobretudo quando a venda é concentrada em itens básicos, preços muito competitivos ou produtos de atacado. O cuidado maior está nas perdas, nas quebras, nos vencimentos e nas promoções mal planejadas, porque pequenas variações percentuais podem consumir uma parcela relevante do resultado.
Aqui, não basta olhar o CMV total. Compare categorias como mercearia, bebidas, perecíveis, higiene, limpeza e marca própria. Uma categoria pode ter margem menor, mas atrair fluxo e aumentar a venda de outras linhas mais rentáveis.
Farmácias
Em farmácias, a composição do mix muda completamente a leitura. Medicamentos de marca (éticos), genéricos, similares, perfumaria, dermocosméticos, conveniência e programas de benefício podem ter comportamentos diferentes de margem. Por isso, uma farmácia com CMV de 70% não deve concluir automaticamente que está mal: ela precisa comparar o resultado com seu histórico e observar quais grupos puxaram o indicador.
Quando o CMV sobe de forma consistente, vale investigar o custo de compra, a participação de itens promocionais, descontos concedidos, perdas, rupturas e mudanças no mix. Perfumaria e marcas próprias, por exemplo, podem melhorar a margem média, mas só fazem sentido se houver giro e demanda.

Pet shops
Pet shops costumam ter um cenário misto. Rações e medicamentos de marcas conhecidas normalmente enfrentam forte comparação de preços; acessórios, higiene, marcas próprias e serviços podem ter margens diferentes. Por isso, se a empresa oferece banho, tosa ou atendimento veterinário, o ideal é separar a análise de mercadorias da análise de serviços sempre que possível.
Uma faixa de CMV de 50% a 65% é um bom ponto inicial para a leitura de venda de mercadorias, mas ela pode mudar conforme a participação de serviços, o peso das rações no faturamento e a estratégia de preços. O principal é não deixar uma categoria de alto volume esconder uma margem excessivamente baixa.
Materiais de construção
No material de construção, produtos básicos como cimento, areia, argamassa e itens de obra frequentemente trabalham com margem apertada. Já acabamentos, ferramentas, utilidades e itens de conveniência podem dar mais espaço para margem. Frete de compra, concorrência regional, negociação com fornecedor e desconto para obras também interferem bastante no indicador.
Uma empresa que mede somente o CMV geral perde a chance de descobrir onde está a rentabilidade. O melhor caminho é analisar grupo, subgrupo, fornecedor e faixa de preço. Um desconto concedido em material básico pode ser estratégico para fechar uma obra, desde que outros itens do pedido preservem a margem planejada.
Moda e vestuário
Lojas de moda normalmente operam com CMV mais baixo e margem bruta maior do que supermercados ou eletroeletrônicos. Isso não significa que seja um segmento simples: coleção errada, estoque parado e liquidações podem destruir a margem rapidamente. Uma peça vendida a preço cheio e a mesma peça remarcada no fim da estação produzem resultados completamente diferentes.
Além do CMV médio, acompanhe a margem por coleção, marca, tamanho, canal e período de remarcação. A melhor compra não é apenas a que chega com custo menor; é a que vende no prazo previsto e evita virar saldo de estoque.
Quatro passos para descobrir o CMV ideal da sua empresa
1. Padronize a base de cálculo. Use o mesmo conceito de vendas e de CMV em todos os meses. Se há devoluções, descontos ou vendas canceladas, entenda como o sistema os trata.
2. Olhe pelo menos 12 meses de histórico. Um mês isolado pode ser afetado por inventário, promoção, sazonalidade, ajuste de custo ou compra pontual. Tendência é mais importante do que um único resultado.
3. Abra o indicador por categoria. O CMV total mostra o sintoma; grupos, subgrupos e fornecedores ajudam a encontrar a causa. O objetivo é saber qual linha piorou e por quê.
4. Defina uma faixa de alerta própria. Depois de conhecer o histórico, estabeleça um intervalo de controle por categoria ou loja. Se o CMV sair da faixa, investigue antes de transformar o problema em perda recorrente.

O que pode fazer o CMV subir sem que o gestor perceba?
O aumento do CMV nem sempre vem de um único reajuste do fornecedor. Muitas vezes ele é resultado de vários detalhes operacionais:
- custo de compra maior sem reajuste proporcional do preço de venda;
- desconto excessivo ou campanha sem cálculo de rentabilidade;
- mudança no mix para itens de margem menor;
- compra com frete ou condições menos favoráveis;
- erro de cadastro ou de custo no sistema de retaguarda;
O indicador ganha valor quando ele gera uma pergunta prática: “qual grupo, fornecedor, produto ou decisão comercial está mexendo na margem?”
Use a faixa como bússola, não como sentença
A tabela de CMV por segmento ajuda a fazer a primeira leitura, mas não substitui o acompanhamento do seu próprio negócio. Use as faixas para levantar hipóteses, depois confirme com histórico, mix, preços, estoque, descontos e despesas.
Quando o CMV é acompanhado todo mês e detalhado por categoria, ele deixa de ser apenas um número de fechamento e passa a orientar compras, precificação, promoções e decisões de estoque. Esse é o caminho para transformar custo em gestão de margem.
Quer visualizar a evolução do CMV junto com vendas, indicadores e resultados comerciais? Conheça o eDiretor e acompanhe os dados que ajudam a tomar decisões mais seguras para o varejo.

Perguntas frequentes sobre CMV no varejo
Quando um CMV é considerado alto?
Depende do segmento. Para farmácias, 70% pode estar dentro ou próximo da faixa de referência. Para uma loja de moda, já merece uma investigação do gestor. O comparativo correto é sempre com empresas de modelo semelhante e, principalmente, com o seu próprio histórico.
Qual é a diferença entre CMV e margem bruta?
O CMV representa a parcela da venda consumida pelo custo das mercadorias. A margem bruta é o que sobra depois desse custo. Em uma leitura simplificada e com a mesma base de vendas, se o CMV é 70%, a margem bruta é aproximadamente 30%.
